Desenvolvimento Urbano e Econômico:
Regiões Estratégicas

 

 

O desenvolvimento urbano e econômico de cidades e regiões muitas vezes parece ocorrer de forma súbita aos olhos leigos, mas, na realidade, é resultado de um conjunto de fatores e planejamentos estratégicos.

Um exemplo marcante desse fenômeno é a região de Macaé, no estado do Rio de Janeiro, impulsionada pelo petróleo das Bacias de Santos e Campos que experimentou um surto de crescimento. Da mesma forma, cidades portuárias como Itajaí, em Santa Catarina impulsionam economias locais, gerando empregos e estimulando o desenvolvimento de setores adjacentes como o de turismo e imobiliário em Balneário Camboriú e Itapema.  Todavia, nem sempre podemos dizer serem movimentos bem aproveitados urbanisticamente.

A partir dos anos 90, os planos de expansão da Macro Metrópole Paulista começaram a conectar importantes centros regionais do estado, como Sorocaba, Campinas e São José dos Campos, formando um “anel” em equidistâncias de cerca de 100 quilômetros da capital. Essa expansão atraiu e relocou empresas para essas novas centralidades, impulsionando o desenvolvimento econômico e a geração de emprego e renda.

Assim, nos últimos 20 anos a Região Metropolitana de Campinas (RMC), tem experimentado um notável desenvolvimento, resultado da sua localização no contexto histórico da região sudeste do Brasil, posicionando-se de forma estratégica em relação a São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, com sua ampla infraestrutura de transporte que inclui rodovias, aeroportos e linhas férreas.

Oportunidade de Fazer Melhor

Indaiatuba, situada ao lado do maior aeroporto de carga da América Latina entre Campinas e Sorocaba, tem sido um exemplo notável desse desenvolvimento na produção de seu espaço. Esse crescimento trouxe desafios significativos, incluindo a necessidade de infraestrutura urbana que suportasse o aumento abrupto de população, melhorias na mobilidade, oferta de moradias adequadas mantendo a qualidade ambiental para os residentes e melhor capacitação dos serviços públicos, como saúde, educação, abastecimento e segurança promovendo as relações sociais e a qualidade de vida.

De toda forma, devemos lembrar que uma cidade é um organismo “vivo e pulsante” em constante movimento. Logo, o olhar atento e permanente dos gestores municipais e o planejamento estratégico são essenciais para garantir que o desenvolvimento seja sustentável e beneficie toda a comunidade. Essa abordagem é fundamental para enfrentar os desafios e as oportunidades apresentadas por estes cenários em constante evolução.

 

 

Urbanista Renato Sandrini Destaca a Importância dos Parques Lineares
IIº Fórum Nacional de Gestão Ambiental

Case de Indaiatuba

Durante o II° Fórum Nacional de Gestão Ambiental, realizado em Campinas no ano de 2019, o arquiteto Renato Sandrini, responsável pelo planejamento e mobilidade urbana de Indaiatuba, trouxe à discussão o papel crucial dos parques lineares no desenvolvimento urbano sustentável. Em particular, ele enfatizou os esforços em torno da implantação do Parque Ecológico de Indaiatuba e como se deu a criação do novo Parque Natural do Burú.

Sandrini destacou que o desenvolvimento urbano da cidade foi oportunizado pelo momento de expansão da Macro Metrópole Paulista, aliado às novas ferramentas legais proporcionadas pela atual legislação. Ele ressaltou que, durante a elaboração do Plano Diretor Setorial de Mobilidade Urbana de 2017, vislumbrou a possibilidade de conciliar a legislação ambiental com diretrizes viárias para áreas urbanas, o que culminou na concepção do Parque do Burú; plano que desenvolvia desde 2015.

 

Primeira Idealização do Parque Natural do Buru – 2015.

 

O arquiteto explicou que o plano diretor de mobilidade urbana sustentável, mesmo sendo de cunho setorial, permitiu a idealização do novo parque com a preservação de cursos d’água seguindo o modelo bem-sucedido do Parque Ecológico de Indaiatuba, idealizado por Ruy Othake. O projeto alarga a área de várzea do Córrego do Buru, delineando-a com avenidas (diretrizes viárias) a serem implantadas conforme a ocupação do entorno.

Como resultado, o projeto propôs ampliar a legislação ambiental; aumentando o afastamento do curso d’água (Córrego do Buru) de 15 para 50 metros, criando um novo Parque Linear Natural com aproximadamente 22,68 hectares, denominado preliminarmente como Plano Viário Parque Natural do Buru.

 


 Projeto Funcional Parque do Buru – Diretriz Viária 2017.

 

 

 A implantação do Parque do Buru vem ocorrendo com agregação de novas áreas – 2024.

 

Assim, como podemos observar pela imagem acima, o conhecido Parque Ecológico de Indaiatuba (ocupado em seu entorno), fator principal de mobilização da qualidade ambiental e de vida da cidade, terá, com o tempo de ocupação das áreas à oeste (vetor de expansão), um novo parque nos moldes do primeiro, mais que dobrando as perspectivas de equilíbrio entre o ambiente e as pessoas, além de prever as principais interações viárias que deverão atender a região.

Dez anos após sua concepção inicial, começa a tomar forma e atender a comunidade que o contorna.

Do mesmo modo, uma outra diretriz fundamental foi a de criar obrigatoriedade de se circundar todas as Áreas de Preservação Permanente (APP) com uma via pública, visando garantir a acessibilidade e valorização do espaço verde. A diretriz estabelece que, novos parques lineares se formem naturalmente com a provável ocupação vindoura.
Em síntese, são ações que refletem o compromisso com o desenvolvimento urbano sustentável, promovendo a preservação ambiental, a acessibilidade e a valorização dos recursos naturais na cidade.

 

Urbanismo Consciente e Consequente


O desenvolvimento regional é uma realidade inegável e cidades como Salto, Itu, Sorocaba entre outras tantas no interior, refletem isto em seus índices de Produto Interno Bruto (PIB), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), locais. Desse modo, se impulsionadas por profissionais e gestores que entendam o enfrentamento dos desafios nas áreas da saúde, segurança, meio ambiente, educação, moradia, mobilidade e planejamento urbano; serão sempre oportunidades que garantam um desenvolvimento sustentável e inclusivo, promovendo o bem-estar e a qualidade de vida dos cidadãos.

Por isso, o engajamento de profissionais de urbanismo é essencial para orientar políticas públicas que promovam um ambiente equilibrado e harmonioso, na transformação positiva que impacta não apenas o presente, mas também as gerações futuras.

O urbanismo consciente.