IR E VIR

E também, levar e trazer, enviar e receber

Quem tem agraciado esse este site com sua atenção, deve ter notado que as referências sobre os diversos assuntos abordados aqui, são bem antigas… Poderia dizer até que, dos primórdios da sociedade como a conhecemos. Isto se faz, talvez, graças a “curta-memória” com que nos deparamos atualmente no trato destes temas.

Hoje se fala em “MOBILIDADE URBANA” como se falássemos de tráfego, trânsito, congestionamentos, automóveis, buzinas, ruas e estradas… E a “mobilidade urbana” fosse a solução específica que resolve as questões geradas por um “semáforo”, ou um “viaduto” a mais.

Desde que o homem subiu pela primeira vez em um cavalo, teve a possibilidade de ampliar seus territórios, alcançar novos povos, prosperar em abundância e até, destravar seu conhecimento com novas culturas. Muitos impérios ocidentais e orientais se fizeram sobre cavalos, mas, curiosamente o Império Romano perdurou por muito mais tempo, exatamente porque além dos cavalos, enxergou como facilitar os caminhos.

É historicamente conhecido o valor das estradas romanas que cortaram em cerca de 85 mil quilômetros pelo Oriente Médio, Norte da África e claro, toda a Europa, somando-se a isto os caminhos aquaviários levando não apenas tropas, mas, os domínios sobre tudo o que circulava; mercadorias, riquezas, comunicação e pessoas por cerca de 300 mil quilômetros.

https://orbis.stanford.edu/ , Universidade de Stanford permite conhecer as principais redes de transporte e simular como seriam as viagens.

Algumas delas (trechos) Via Appia e Via Militaris, como são conhecidas, são encontradas até os dias de hoje, dado não apenas ao trajeto que ocupam, mas, ao trato construtivo com que eram implantadas.

Economistas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, em estudo por comparativo econômico-geográfico, chegaram à conclusão que a prosperidade gerada por estas estradas há quase 2 mil anos está relacionada ao desenvolvimento do qual gozam hoje os lugares em seus arredores.
Logo, Mobilidade não se resume a Trânsito, mas. geração de riqueza, tempo e prosperidade.

MOBILIDADE E O AMBIENTE URBANO

Não há o que falar hoje sobre mobilidade nos centros urbanos sem tratar o assunto
Transporte Coletivo.

Há de se entender que o ser humano vive em grupos e que há consequências no uso do espaço entre todos e, com respeito.
O Homem Moderno é um ser Urbano.

O deslocamento das pessoas envolve setores complexos e de muitos interesses, como a indústria de veículos, a geração de energia (limpa ou não), os sistemas de transporte, as concessões, os modais disponíveis. E os custos de cada escolha nos impostos, tarifas, no ambiente e no próprio uso do espaço.

A discussão sobre o uso de veículo individual ou, coletivo; o tipo de energia que os move, o direito de escolha por este ou aquele meio, são questões ora tecnológicas, ora culturais que perduram e só serão superadas com a real facilitação da locomoção oferecida pelos gestores deste espaço público, em lugar do “velho cavalo” da história da humanidade.

Logo, se fechar nesta discussão até pode levar as pessoas, um dia, a rever o “conteúdo de seus pratos”.

Enfim, além de caminhos bem construídos, sinalizados, orientados e hierarquizados na malha urbana de uma cidade – que é a base para deslocamentos rápidos e seguros – a densidade de pessoas requer transporte farto e coletivo. A disponibilização de meios, seja sobre qual modal for (VLT, BRT, Ônibus, Barca, Metro, Trem, Balsa…). Este é o único fator que desestimulará uma pessoa de optar por um transporte individual; para não passar horas em espera ou em deslocamentos simples dentro de seu dia-a-dia.

 

 

Na verdade, toda a questão de mobilidade se refere ao TEMPO…
O tempo para ir, para chegar… Quanto tempo PERDIDO em deslocamentos. Em quais condições de conforto e segurança?
Para o exercício do seu maior direito; o de IR e VIR para o seu trabalho, estudo, compras, encontros…

Sua liberdade de andar e direito de existir sobre a terra.